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O diário de bordo dos membros da banda Lukin-Pearl Jam cover/BH:
- Alvair Bueno (guitarra/vocal)
- Douglas Oliveira (bateria)
- Gustavo Bueno (guitarra)
- Bruno Marques (baixo)
- Valentim (roadie)
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25 de junho de 2004
: : Sobre o comportamento na internet : :
ou
: : O cenário pós-morte do protocolo de boas maneiras : :
“Nos últimos dias eu tenho visto um aumento pronunciado no nível médio de estupidez na net. As pessoas são, no geral, estúpidas - eu não tenho ilusões a esse respeito desde minha adolescência. Meu maior problema é que, quanto mais estúpida a pessoa, mais barulhenta ela é - mais comunidades cria, mais mensagens posta, mais barulho faz. A cada estúpido barulhento que eu vejo, minha fé na humanidade morre um pouco. Isso eu não perdôo.”
Ricardo Bánffy - para o site Webinsider, do portal UOL.
Realmente, é irritante ver tanta palhaçada espalhada por aí. Ricardo Bánffy compôs seu relato a partir da observação que fez durante alguns dias, conforme citado. E eu escrevo com base nas observações que venho fazendo há anos.
O que posso dizer é que meu desgosto com as publicações pessoais na internet cresce a cada novo clique, exceto raras exceções. É impressionante como, em geral, o usuário comum faz um uso porco e infeliz desse meio de comunicação.
Porco devido à má formação educacional, evidenciada tanto pela grafia incorreta, quanto por formas gramaticais que parecem ter sido inventadas durante uma evacuação matinal. Isso sem falar na falta de coesão e coerência. Abra três janelas de blogs ou fotologs diferentes e você perceberá o que menciono. Em pelo menos um deles não dá sequer pra entender o que está escrito, incluindo invenção de termos e de grafia das palavras (“foteenha”, “nosha”, “aki”, “migooooo”).
E infeliz por não atender satisfatoriamente ao propósito, por mais que haja a intenção de se transmitir algo relevante. Tudo bem, nesse ponto acho que não posso falar muita coisa, pois ainda faltam estudos e estatísticas a respeito. Posso apenas afirmar que não dá pra confiar na imensa maioria das fontes. Tem gente inventando informação do nada e publicando por aí. Caí na besteira de transcrever, em um dos meus últimos trabalhos desse semestre letivo, um trecho de um texto sobre quadrinhos brasileiros que achei num site pessoal e me dei mal.
Se isso acontece em websites, que exigem conhecimento um pouco mais avançado para serem criados, o que dizer, então, dos campos abertos, como os de comentários, por exemplo, que não exigem sequer um nível mediano de conhecimento da tecnologia? Qualquer imbecil pode escrever neles e parece que os imbecis se sentem atraídos por isso.
Encaro essas formas de expressão como momentos mágicos e gloriosos para os imbecis. Ali eles estão se fazendo presentes. Mais do que isso, estão se fazendo vivos, já que um risco que eles correm é de “morrerem” para o resto da sociedade. A teconologia tem o poder de provocar esse tipo de exclusão: os analfabetos da informática.
Há uma frase que insisto em dizer quando me perguntam como a estupidez poderia ser combatida: “Não quero que todos leiam Platão, Nietzche, Umberto Eco, Brecht ou Chomsky. Só peço que escolham formadores de opinião melhores do que os personagens da novela das oito.” É triste perceber como os imbecis são teatrais e barulhentos. Eles gesticulam, falam alto, promovem badernas, apelam pra baixaria. Em suas buscas frustradas de auto-afirmação, são incapazes de canalizar energia para manifestações que façam diferença e promovam bem-estar.
Todo mundo sabe: o problema está na base da formação de tais indivíduos. Essas pessoas que insistem em poluir nossas caixas de e-mail e campos de comentário com spams, bobagens e insultos não desenvolveram tais baixezas recentemente. Somos, sim, uma população muito carente de educação, entre tantas outras deficiências - e isso não me impressiona. O que me assusta é perceber que as pessoas que acessam a internet de casa, do trabalho ou da faculdade tiveram (e ainda têm) boas oportunidades para serem mais conscientes, para crescerem como cidadãos responsáveis e para desenvolver éticas de relacionamentos pessoais mais maduras. Então, se isso não aconteceu, foi por pura ignorância ou preguiça mesmo. Isso eu não perdôo.
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